20 de outubro de 2011

Por Pauline Machado

Mario Sergio Cortella fechou com chave de ouro a ExpoVendaMais 2011, com sua divertida e motivadora palestra, repleta de ensinamentos e exemplos práticos que levaram todos os presentes a refletirem sobre como lidam com os riscos e desafios naturais dos processos de mudanças.

“Qual é a tua obra?”, perguntou Cortella várias vezes durante a apresentação. A questão, que dá nome ao seu novo livro, estimula-nos a pensar sobre o que fazemos com as nossas vidas – vivemos no presente e aproveitamos as oportunidades ou vivemos com os pés no passado, deixando a vida acontecer sem tomarmos as rédeas dela?  “Mudar é complicado, acomodar-se é perecer. Por nisso é preciso ter coragem, criar raízes, mas não ser ancorado, sem sair do lugar. Coragem não é ausência de medo, mas capacidade de enfrentar o medo. Na hora da crise, os corajosos se colocam na situação, ao contrário dos desencorajados, que colocam a culpa no outro”, enfatizou o filósofo.

De acordo com ele, há algo de errado quando achamos que já sabemos tudo. Quando isso acontece, a tendência é nos acomodarmos, distrairmo-nos, relaxarmos; e isso vale para pessoas, empresas, nações, times de futebol, etc. “A mudança não é um estado natural, é sempre provocada por uma inquietação, por alguma insatisfação. O risco de achar que não sabemos tudo nos faz buscar outros caminhos. Gente satisfeita não inova, não cria, se acomoda, fica paralisado, entorpece. Os insatisfeitos inovam, são ambiciosos; mas não confunda ser ambicioso com ser ganancioso. O ambicioso quer mais, pois existe a insatisfação. O ganancioso quer só pra si”, ilustra.

Crise da credibilidade

Quem nunca ouviu a frase: “Fazemos qualquer negócio”?  “Mas quem faz qualquer negócio se perde”, garante Cortella. “Tenha cuidado também com gente que concorda com tudo o que você faz e fala. Gente que gosta e respeita você, discorda de você quando é necessário”.

Ainda de acordo com ele, somente quando você desenvolve o autoconhecimento é que entende que a responsabilidade é sua e não a coloca no outro. “Seja flexível, mude o que precisa mudar. Não seja volúvel, como aquele que muda qualquer coisa. Tenha dúvidas: sem elas você não cresce, só repete, fica prisioneiro da repetição. E lembre-se: Um adversário fraco o enfraquece, um concorrente burro o emburrece”.

“Eu já sei dar aula?”

Essa foi outra pergunta que norteou toda a palestra. “Até certo ponto”, respondia Cortella. Segundo ele, nunca estamos prontos, mas, sim, em constante processo de mudança, e é justamente durante esses processos que encontramos as oportunidades. “Oportunidade você busca, não fica aguardando por ela. As oportunidades aparecem quando você se encontra com o que é desafiador pra você. Mas, cuidado! É preciso ter cautela para não se tornar arrogante. Seja audacioso – pense, estude, planeje, tema, mas avance! Não seja aventureiro, como aquele que sai fazendo tudo na base do ‘vamos que vamos!’”, orientou.

Dentre tantos tópicos para reflexão, Cortella destacou a importância de ser proativo, de se antecipar e não perder as oportunidades de crescer e deixou como mensagem final o seguinte ensinamento: “Gente grande de verdade sabe que é pequena e que, por isso, irá crescer. Gente pequena acha que já é tão grande que não precisa crescer”.